Personalidades da fruticultura brasileira

Sylvio Moreira

Sylvioinicial

Sylvio Moreira formou-se Engenheiro Agrônomo em 1923 pela Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (ESALQ), da USP.  Após trabalhar para empresa de fertilizantes, foi contratado pela Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo em 1931, e veio a assumir a Estação Experimental de Limeira (EEL) em 1932. Era este um empreendimento do Governo do Estado, ambicioso, cujo objetivo era incrementar a citricultura incipiente, com 12 milhões de laranjeiras.

Em 1934, Sylvio voltou a ESALQ para cursar Genética e Estatística cujo ensino se iniciava na Agronomia no Brasil.  Morando com sua esposa e filhos na EEL, instalou a coleção, a sementeira de citros e o escritório próximo à residência. Começou o trabalho na formação de uma coleção de variedades cítricas para o suporte da atividade de pesquisa. Com entusiasmo e visão, percorrendo os pomares comerciais, foi ampliando a coleção e o relacionamento com os citricultores. A coleção de variedades cítricas foi desde o início o cartão de visita, o local de recebimento dos citricultores e outros interessados na cultura. Hoje tem mais de 600 variedades cítricas. Um experimento para estudo da compatibilidade porta-enxerto/copa dava inicio a pesquisa com material que tinha na EEL.

Em 1937 a citricultura paulista foi atacada por uma doença nova que dizimou 10 dos 12 milhões de laranjeiras enxertadas em laranja azeda. O semblante dos donos das plantas mortas era de tristeza, assim Sylvio reportava a situação. O nome pegou e depois passou a designar a doença, mundialmente. Na EEL, o experimento de porta enxerto, algumas parcelas estavam vivas e outras mortas. Havia resistência variável nas parcelas conforme o porta-enxerto. Assim, essa variação, ainda que se desconhecesse o patógeno, pôde indicar o caminho a seguir para restauração dos pomares: Mudar de porta-enxerto. Os melhores resultados estavam nas parcelas com porta-enxerto de limão cravo e de laranja caipira, e tangerina, e algumas outras. Estudando o comportamento deles, na EEL, destacava-se o porta-enxerto limão cravo. Essa opção é hoje de quase unanimidade na atual citricultura. No IAC os estudos de virologia mostraram que o patógeno da “Tristeza dos Citros” é um vírus. A mudança do porta-enxerto expos outros vírus que estavam ocultos quando o porta-enxerto era laranja azeda. O controle foi a eliminação desses outros vírus com os recursos da poliembrionia e o uso dos embriões nucelares. Novamente a EEL já tinha produzido nos trabalhos de genética de plantas para observação. Assim, pôde indicar e fornecer borbulhas de plantas nucelares para formação de pomares de clones nucelares. Foram formadas plantas matrizes nucelares na EEL que alicerçaram os novos viveiros de citros, registrados, hoje absolutos na produção e comércio de mudas cítricas no Estado de São Paulo.

Na atual citricultura de São Paulo, com cerca de 165 milhões de laranjeiras é, fortemente predominante os clones nucelares, com alta produção e limpos de vírus, exceção feita ao vírus da Tristeza devido ao vetor, o pulgão preto Toxoptera citricidus. Sylvio recebeu dos citricultores, colegas e amigos, em 1964 o título de “Arquiteto da Citricultura Brasileira”. O Governo do Estado de São Paulo promulgou lei da Assembleia Legislativa, dando à EEL o nome de “Centro de Citricultura Sylvio Moreira”.  O Engenheiro Agrônomo Ody Rodrigues que foi colaborador, companheiro e sucessor de Sylvio no IAC, escreveu em 2000: ......... “da equipe de pesquisadores que conseguiu oferecer aos produtores ao longo de muitos anos de trabalho, o melhor material cítrico, selecionado, sadio, livre de viroses e mais produtivo. Essas linhagens de citros constituíram-se no maior impulso que a pesquisa científica ofereceu à citricultura paulista e brasileira, que é atualmente a maior do mundo”.