Personalidades da fruticultura brasileira

Raul Soares Moreira

Raul RAUL SOARES MOREIRA, nascido em Cordeirópolis, em 1932, na Estação Experimental de Limeira, atualmente Centro de Citricultura “Sylvio Moreira”, do Instituto Agronômico de Campinas, (IAC). Fez seus cursos básicos em Campinas e depois se formou engenheiro agrônomo (1958) e doutor em bananicultura (1974), pela Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, da Universidade de São Paulo, em Piracicaba, SP. Teve como pais Sylvio Moreira e Francisca Soares (Minica) e mais quatro irmãos e ainda cinco filhos. Sua família é ligada a agricultura, pois teve um tio formado (1919), na ESALQ, assim como seu pai (1923), irmão, cunhado e mais oito sobrinhos, além de tios produtores agrícolas. Iniciou sua carreira profissional em 1958, como extensionista na Casa da Agricultura de Eldorado Paulista, onde o cultivo da banana era a de maior importância. Entretanto, se destacou, inicialmente, trabalhando no programa de produção de mudas junto ao Serviço de Expansão da Seringueira, do então Departamento da Produção Vegetal (PDV) (hoje, CATI), como o extensionista que mais conseguiu motivar agricultores a produzi-las no Estado de São Paulo. Ingressou no IAC em 1964, fazendo pesquisas com bananeiras, motivado pelos conselhos do Eng. Agro. João Jacob Hoelz. Sempre falava que o sucesso de sua vida profissional aconteceu pelo apoio de seus colegas e de seus auxiliares técnicos. Se aposentou em 1989. Foi o precursor mundial do plantio da banana em sulcos, da reforma periódica dos bananais que iniciava com sua destruição com o rotavator que depois evoluiu para o desintegrador de restos de cultivo, o Triton e do adensamento dos plantios. Introduziu a correção do solo com calcário dolomítico e o fosfato natural aplicados antes do plantio e da sub-drenagem usando varas de bambu. Foi o criador do desbastador de “filhotes” supérfluos, “lurdinha”, gerando em bananicultura o termo “família” (mãe, filho e neto). Com ela foi possível o uso de nematicidas sistêmicos para o controle da broca das bananeiras, dos nematóides e dos insetos que infestam os bananais reduzindo as dosagens dos produtos a apenas 20% da recomendada, por serem os mesmos aplicados no interior dos “filhos” desbastados e ainda de micronutrientes, via pseudocaule, principalmente o boro e o zinco. Desenvolveu a metodologia de formação de mudas em viveiros, produzidas por biotecnologia e da desinfecção das mudas convencionais com o hipoclorito de sódio que não produz poluição ambiental e de seu plantio no campo, conforme está no site da Toda Fruta da Sociedade Brasileira de Fruticultura, com o nome "A muda da bananeira - sua formação e plantio", em abril de 2005. Foi o introdutor do conceito de bananal sem mato com a aplicação de herbicidas sistêmicos e residuais, da aplicação dos nutrientes nitrogenados e potássicos, parceladamente, no mínimo em três doses e sua melhor localização (em uma faixa de 20 x 100 cm, em meia lua, distante cerca de 30 a 50 cm do rebento mais novo da família). Nas adubações nitrogenadas conseguiu determinar que os sulfatos produzem cachos com maior número de pencas, enquanto que os nitratos e a uréia aceleram o florescimento, porém os cachos têm menos pencas. Desenvolveu a técnica da isca “queijo” para avaliação e combate as brocas das bananeiras. Foi o criador da atomizadeira “girafa” para pulverizações realizadas à noite, no controle das sigatokas e também da “banheira” móvel para embalagem das pencas e ou de buquês lavadas em uma solução contendo detergente domestico e de técnicas de condução do bananal. Visando o pequeno produtor e também uma solução às restrições ambientais, foi introduzida a aplicação do fungicida sistêmico nas axilas das folhas. Montou uma coleção de 120 diferentes cultivares coletados por esse mundo afora. Participou de cursos para engenheiro agrônomos sobre banana, em quase todos os Estados brasileiros. Publicou inúmeros trabalhos científicos, podendo-se destacar a primeira avaliação mundial de nutrientes em 50 diferentes cultivares e também os de divulgação, semanalmente, por mais de 10 anos, no Jornal O Estado de São Paulo e revistas agrícolas. Com base em suas pesquisas escreveu em 1987, o livro “Banana – Teoria e prática de cultivo”, que foi reeditado em 1999, como o primeiro CD de bananas escrito no mundo, pela Fundação Cargill. Foi o identificador do “Nanicão IAC – 2001”, o primeiro cultivar Cavendish parcialmente tolerante a sigatoka negra no mundo. Participou, relatando suas pesquisas, de quase todas as reuniões de banana havidas no Brasil, principalmente naquelas da Sociedade Brasileira de Fruticultora (SBF), que acontecem a cada dois anos e também em países produtores, nestes últimos 50 anos, em especial nas reuniões da Associação para a Cooperação nas Pesquisas sobre Banana no Caribe a América Tropical (ACORBAT) que ocorrem a cada dois anos, e por duas vezes foi Delegado Brasileiro em reuniões da FAO. No inicio dos anos 80, prestou assistência ao governo de Moçambique, para implantação da banana no Vale do Limpopo e Punguê. Foi responsável pela recuperação da bananicultura no Vale do Cavaco, em Angola, durante o ano de 1987, sob os auspícios da FAO. Depois de aposentado e parcialmente recuperado de uma doença virótica, voltou pesquisar, a escrever e a fazer consultorias para vários produtores e empresas. Foi um dos sócios fundadores da Sociedade Brasileira de Fruticultura, tendo participado de várias diretorias. Foi ainda produtor de bananas em São Paulo e no Rio de Janeiro. É o pesquisador brasileiro que trabalhou maior tempo com as bananeiras e também o decano do Brasil. Sua despedida de trabalhos no campo se deu em 7 de junho de 2010, durante o VII Simpósio Brasileiro de Bananicultura realizado em Registro, SP.