Notícia

Tristeza dos citros

A tristeza dos citros, causada pelo Citrus tristeza virus (CTV), é uma doença de importância econômica, estando presente nas principais regiões citrícolas do mundo. Observada pela primeira vez naÁfrica do Sul, foi introduzida no Brasil, em 1937, dizimando cerca de dez milhões de plantas enxertadas em laranjeira 'Azeda' (Citrus aurantium L.), porta-enxerto intolerante ao vírus. A doença foi designada de tristeza devido ao declínio rápido da planta afetada.

O CTV pertence ao gênero Closterovirus e é transmitido por material propagativo infectado e por afídeos, sendo o pulgão-preto-dos-citros (Toxoptera citricida Kirkaldy) o vetor mais importante no Brasil, cujo controle não é eficiente.

A tristeza é uma doença de interação entre a copa e o porta-enxerto. No Brasil, seu controle foi desenvolvido, principalmente, a partir de informações geradas pelos pesquisadores liderados pelo Dr. Sylvio Moreira, na Estação Experimental de Limeira, em São Paulo, atual Centro APTA Citros Sylvio Moreira. O controle baseou-se na substituição do porta-enxerto de laranjeira 'Azeda' por outros tolerantes ou por pés-francos provenientes de embriões nucelares.

Algumas laranjeiras-doces, como a 'Pera' e outras espécies mais sensíveis, podem ser afetadas por isolados agressivos do CTV, mesmo quando estabelecidas em porta-enxertos tolerantes. Pesquisas conduzidas pelo Dr. Álvaro Santos Costa e sucedidas pela equipe do Dr. Gerd Walter Müller, do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), levaram à seleção de isolados menos agressivos do vírus, que vêm sendo utilizados na pré-imunização dessas copas, com destaque para a Pera IAC. Na Bahia, pesquisadores da Embrapa Mandioca e Fruticultura, coordenados pelo Dr. Orlando Sampaio Passos, selecionaram a Pera CNPMF-D6 como variedade pré-imunizada, que é empregada na citricultura do Norte e Nordeste do Brasil.

Genes que conferem imunidade ao CTV têm sido identificados. Além disso, a transformação genética de plantas é uma ferramenta que vem sendo utilizada na obtenção de plantas resistentes ou tolerantes. No Brasil, o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Genômica para o Melhoramento de Citros (INCT-Citros), coordenado pelo Dr. Marcos Antônio Machado, trabalha na caracterização do genoma funcional do CTV e na transgenia para tolerância ao vírus.

Embora a tristeza esteja controlada no Brasil, ainda constitui uma ameaça devido ao seu caráter endêmico, à presença do vetor e à grande variabilidade do vírus. Neste sentido, o Programa de Melhoramento Genético de Citros da Embrapa Mandioca e Fruticultura, dirigido pelo pesquisador Walter dos Santos Soares Filho, vem trabalhando, há vinte e seis anos, na obtenção de milhares de híbridos com potencial de uso como porta-enxertos, tendo até o momento sido pré-selecionados mais de 300 indivíduos. A maioria possui tolerância ao CTV, estando os mesmos sendo avaliados em uma rede nacional de experimentos, em diferentes ecossistemas. Destacam-se o limoeiro 'Cravo Santa Cruz', a tangerineira 'Sunki Tropical' e os citrandarins 'Indio', 'Riverside' e 'San Diego', como porta-enxertos recomendados pela Embrapa para uso em combinação com diversas variedades-copa.

Cristiane de Jesus Barbosa 
cristiane.barbosa@embrapa.br

 

Almir Santos Rodrigues 
almir.rodrigues@sdr.incra.gov.br